O Iluminado

the shining

Para quem gosta de um bom filme de suspense, ver esse clássico é obrigatório. Ele é uma mistura de efeitos na mente humana causados pelo isolamento, juntamente com supostas visões sobrenaturais, o que minimamente tem como consequência o questionamento de quem o assiste.

A história do filme é basicamente, que Jack Torrance (Jack Nicholson) consegue um emprego de vigia em um hotel no Colorado, para onde se muda com sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e seu filho Danny (Danny Lloyd). Pelo fato do hotel estar em baixa temporada por conta do inverno, o isolamento começa a afetar a mente de Jack, tornando-o mais perigoso a cada cena.

O diretor do filme, com sua explícita inteligência, introduz lentamente os elementos assustadores da historia (como por exemplo, o amigo imaginário de Danny), nos levando a angustiantes capítulos repletos de suspense.

Tecnicamente falando, ele usa de enquadramentos perfeitos, e a fotografia muda de acordo com o estado mental de Jack: quando branca, reflete o vazio e o inicio da loucura de Jack no hotel. A partir do momento em que a loucura dele aumenta, a fotografia vai escurecendo e em tons azulados, se torna menos nítida, até finalmente se tornar fria, com a neve atrapalhando completamente a visão.

Colaborando com o clima de suspense, temos o barulho do vento durante a nevasca, e também de Danny passeando de triciclo no hotel, alternando barulhos de tacos e o silencio do tapete. Além desses fatores, para aumentar mais a tensão, Kubrick deixa a câmera no nível do triciclo, nos colocando na posição do garoto e, portanto, vulneráveis a qualquer perigo que possa aparecer.

Um grande mérito do roteiro é não deixar claro se as visões de Jack, Danny e posteriormente Wendy, são realmente visões fantasmagóricas ou apenas alucinações provocadas pelo isolamento. Mas apesar disso, lentamente, são dados sinais de que Jack pertence de fato aos iluminados.

Um dos grandes momentos da loucura de Jack é quando após seu assustador texto datilografado ser descoberto por Wendy, e Danny aparecer com o pescoço marcado, ela começa a culpá-lo e percebe sua alteração de comportamento. Inicia-se então outro momento antológico de Jack, transtornado, imitando a voz e partindo, alucinado, pra cima dela, que grita de forma estridente (que alias, foi uma exigência de Kubrick).

Utilizar uma criança em um filme de suspense é intrigante, visto que elas são inofensivas. E o pequeno ator teve uma atuação brilhante, pois nos deixa em um misto entre a inocência infantil e mistério por ser um “iluminado”.

Chegando ao final do filme temos a certeza da loucura de Jack. Mas questões como “ele é um fantasma?”, “o que ele estaria fazendo no meio daquelas pessoas?” ou até mesmo “suas visões eram reais?”, ficam sem resposta, deixando que cada um tire suas próprias conclusões.

Com o conteúdo psicologicamente denso, esse filme é uma ótima pedida para reflexão sobre comportamentos. E acredite, ele irá render muitos debates entre quem o assistiu.

Ficou curioso para saber mais detalhes do filme? Leia a crítica completa aqui: http://cinemaedebate.com/2009/11/30/o-iluminado-1980/

Letícia Abdalla 

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